domingo, 6 de março de 2011

Pra casar

Os dias vêm e vão, com encontros e desencontros mesmo. Mas quanto mais o tempo passa, maiores são esses encontros de mim para comigo (rs). E tenho a dizer que estou um pouco frustrado, viu? Extremamente decepcionado, porque quanto mais o tempo passa, mais eu me aproximo de uma garotinha desiludida, enquanto deveria estar aumentando minhas skills de macho.

Mas, bicho, parece que eu sou mesmo uma mocinha. Já me falaram que sou a cara do Marshall (Jason Segel) de How I Met Your Mother. Eu até hoje não descobri se isso é um elogio ou se um defeito. Sério. O cara é extremamente lindinho, se preocupa demais com todo mundo, acredita nas bondades das pessoas e na prevalência do amor. Ou seja, ele é a mulher da relação.

Até hoje, acho que sempre fui a mulherzinha de todos meus relacionamentos (muitos...). E isso é um saco, bicho. Porque eu sou a prova de que personagens de Malhação existem. Acredito demais nas coisas, ponho fé em tudo, sou romântico pra cacete, não sou de putaria ainda, enfim, todo gayzinho. E o pior é que ninguém dá valor nessas merdas. Todas reclamam que homem não presta, que só serve pra quebrar coração de mulher, mas quando acham um que presta, chamam ele de gay e metem um pé na bunda!

Bem, foi mal se eu nunca traí ninguém, se nunca quis fazê-lo; se sempre me importei demais com vocês; se ligava sempre pra falar coisas bonitinhas; se dava muitos presentes, se mandava flores; se adorava ficar juntinho e se escrevia textos pra vocês. Saibam que não quero que vocês tomem no cu, porque eu também sou bonitinho demais pra não querer isso. Mas se o que vocês querem é alguém que te encham de chifres, que pisem em vocês e que façam sabe-se lá o que, já vou me desculpando, eu prefiro ser a mulherzinha então e deixar vocês fazerem isso comigo. Como eu disse, sou bonitinho, nunca vou querer machucar ninguém.

Mas de verdade, prefiro acreditar que ao invés de mulherzinha, eu seja um cara pra casar. Me deixa mais hetero, sei lá. Mas foda-se, nem sei por que escrevi isso, deve ser tpm...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um troll magoado



Bem, faz um longo tempo que não escrevo merda alguma pra postar aqui, longo tempo mesmo. Mas acredite, o resto que eu andei escrevendo você não quererá ler.

Mas, antes de tudo, você quem? Eu não tenho contador de visitas (até porque se tivesse, estaria bastante frustrado), mas acredito que ninguém mais entra nessa espelunca. Minhas sinceras desculpas, possível leitor imaginário, pela minha longa ausência. Não foi culpa minha, eu escrevi tantos contos aqui que minha imaginação limitada (problem?) se foi.

Sendo assim, venho aqui anunciar que: De hoje em diante vocês terão novas coisas para ler !!11!1

Porém, não esperem contos. Quando eu tiver imaginação para escrever um, escreverei. Até lá, tenho o prazer de informar que tentarei ser um cronista. Minhas últimas postagens foram sim crônicas, muitas delas sobre a minha grande vidinha, e é com grande satisfação que continuarei com elas. Acredito que agora tenho experiências (uma grande carga de experiências ruins, um coração extremamente partido, com a antítese do ser humano, e com você, seu filho da puta) suficientes para agradar todos os tipos, seja a menininha meiga e apaixonada que terá seu coração partido, obviamente ou o cara mais trollador do universo.

Não começo com uma crônica agora porque tô cansado pra caralho e quero descansar pro carnaval. Quando vocês quiserem dar boas risadas, venham aqui. Tentarei ser tão legal quanto aquelas cronistas que só escrevem sobre putaria, mas numa versão que agrade o universo masculino também. Afinal, não tenho experiências com vibradores ou com um et pirocudo, mas tenho uma grande bagagem de merdas masculinas.

Então, até lá!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cinza

Os dias estão todos nublados, grandes nuvens negras pairam sobre o ar. Pairam sobre mim. Elas eclipsam os poucos momentos de sol que tenho, me deixam bem cinza.
Chove, chove e chove, mas a água não consegue limpar essa sujeira de mim.
Chove dentro ou chove fora? Chove dentro e fora. Lágrimas derramadas não limpam essa angústia, nem o desespero.
Agora espero o vento, o vento que vai limpar todas essas nuvens, pra quem sabe me deixar num dia sol. Esse vento só vem com o tempo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Depoimento de estréia do ano

Mais um ano se passou e você aqui comigo. Ainda consigo me lembrar do dia em que você chegou na minha vida, aos trancos e barrancos. Era tudo tão lindo no ínicio, funcionávamos tão bem juntos... Você me proporcionou tantas coisas boas, me fez viajar pra lugares nunca conhecidos! Me mostrou o mundo sob diversas óticas, seja me fazendo rir ou chorar. Não consigo encontrar palavras pra agradecer sobre as músicas que você me apresentou, putz! Tantos momentos bons juntos, apesar de tantos tapas dados em você. Porém, depois de tanto tempo juntos, é claro que um de nós teria de se desgastar. É com grande pesar que seja você, que esteja ficando tão quente ultimamente, às vezes tão distante e até mesmo me deixando na mão. Entendo que isso esteja acontecendo, afinal, é normal. Nunca vou exigir de você aquilo que não pode me dar. Então, tá tudo tranquilo, de uma forma ou outra, vai passar. Quanto a nós eu não sei. Acho que você tem uma data de validade e que logo, logo vá me abandonar. Saiba que estarei sempre aqui, sendo fiel a você a cada segundo. Mas até que você se vá, por favor, pare de reiniciar, computador dos infernos!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

"Feliz ano velho"

Não gosto de escrever sobre mim, o que acho que já foi percebido.
Sou péssimo em crônicas. Simplesmente nada de útil me acontece, o que me tira o interesse de escrever sobre minhas experiências diárias. Hoje vou tentar para ver o que sai.
Nunca passei uma virada de ano acompanhado. No dia, digo. Já estive namorando, em viradas de ano, mas sempre passei sozinho, assim como grande parte da minha vida.
Essas solidões sempre botam a gente pra pensar naquilo que há de mais destrutivo. Sobre como as pessoas conseguem quebrar nossos corações, sobre como somos egoístas às vezes ou até mesmo sobre o que não somos capazes de fazer. É muita barra pra uma pessoa só. A vida é uma grande merda pra todo mundo, difícil demais de ser carregada por uma pessoa só.
Temos uma puta tendência a chegar ao fundo do poço, que parece ser mais uma utopia, já que nunca nos contentamos. Se já estamos mal, lembramos de tudo aquilo que é pior ainda e conseguimos um frênesi de tristeza. Eu, particularmente, odeio essa tristeza. Vai contra meu nome. Faço de tudo pra acabar com ela, mesmo que às vezes me sinta no direito de senti-la.
Temos sim o direito de estarmos tristes. De ir contra à corrente do Segredo, contra à puta da Pollyanna, que quer sempre ficar contente. Sempre querem que estejamos felizes. Com esse tanto de coisas que vendem hoje em dia, não é difícil.
Mentira. É difícil pra cacete.
Mas por que falar tudo disso, numa véspera de reveillon?
Porque já estive em poços fundos nos mesmos. E são apenas nesses frênesis, dos quais disse antes, que percebemos o valor de nossa vida. É extremamente importante. Importante perceber que não valemos o tanto que pensamos, nem o quanto queríamos. Isso tudo faz com que nos agarremos àqueles que realmente amamos, sem ter medo do que de fato sentimos por elas. Seja com uma piada velha e masoquista, com um beijo de virada ou com uma música do Bob Dylan.
Eu precisei muito dessa tristeza pra ter noção de onde estou e de quem quero ao meu lado. Principalmente neste ano. Puta ano difícil do caralho, viu! Sem tempo pra merda nenhuma, sem tempo pra dizer o quanto amo minha namorada, mas sempre com tempo o suficiente pra me estressar e brigar com todo mundo ao meu redor. Valeu, vestibular!
Sou um cara com péssimas histórias de reveillons, que vão desde a shows sertanejos como jogar sinuca sozinho. Na hora, ficava triste pra caramba e percebia melhor tudo ao meu redor e o quão importante essa tristeza do ano todo é para o que virá.
Esse ano machucou muito, mas amanhã, terei certeza de que ganhei experiência com ele. Experiência pra enfrentar as mesmas coisas ou pra não ter medo de enfrentar as novas que virão.
Assim, boto agora todo meu ano no passado, fazendo dele apenas uma boa memória. Da mesma forma como todo o resto que já me aconteceu. Não penso que me lembrarei apenas das coisas felizes, como todo mundo diz. Lembrarei sim muitas tristezas, pra chegar no fundo do poço várias vezes. Mas a sorte é que depois desses tantos fundos de poços que já atingi, descobri que sempre tem alguém pra me tirar de lá.
Parafraseando e mudando um pouco a frase do Marcelo Rubens Paiva, termino com:
Feliz ano velho, feliz ano novo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conto de fadas moderno

Não era uma vez num reino urbano distante, chamado de Twittópolis, num tempo futuro, mas não tão distante deste, quando o protagonista desta história (jovem e moderno o suficiente para, em sua longa viagem de descoberta moderna, romper com tradições) tinha como principal desejo a liberdade.

Em um dia bem feio, daqueles em que as fumaças de carros e usinas cobrem o céu, príncipe Claudius acordou mais cedo, tinha planos com a princesa Ofélia para este dia.

Ele estava agora com seus 21 anos e já se preocupava em esconder suas olheiras, em arrancar um ou outro fio de cabelo branco que aparecia. Nada fora do normal. Achava que assim como todos, deveria, antes de tudo, parecer jovem. Tomou seu banho, calçou seu all star azul, não penteou o cabelo e desceu os longos lances de degraus do castelo.

Passou com cara fechada na sala do trono, na qual se encontravam seus pais. Mantinham uma bela distância um do outro e nem tempo tiveram de perguntar ao filho se precisava de algo. Suspiraram. A mãe enxugava os olhos e dizia “Esse nosso filho está tão crescido...”.

Já havia conseguido liberdade para sair do castelo e só voltar depois das três. Era de hora de ajudar Ofélia a conseguir tal feito. Entrou na sua carruagem porsche, de 340 cavalos, colocou músicas dos anos 60, diferindo-se de todos.

No caminho, ia se lembrando das coisas que havia conseguido. Dentre elas, a que mais gostava era a independência. Amava não ter de dar satisfações para os pais, não depender deles para fazer suas rebeldes ações. Sentia-se livre. Livre para beber, fumar, transar. Livre para ser jovem. Pensou em como amava ser jovem.

Mas tal pensamento foi interrompido quando se encontrava na porta do palácio do rei Tradição, pai de Ofélia. Aproximou-se da torre em que a princesa se encontrava e jogou uma ligação em sua janela, que dizia “Acalme o dragão que eu arranjei uma festa bacana pra gente ir”.

Os pais de Ofélia não gostavam muito deste mundo moderno. Achavam-no perigoso e por isso prendiam a filha, por medo do que aconteceria a ela. Mas a filha era esperta, levava consigo sempre uma roupa reserva, maquiagem, pente e um batom vermelho. Parou em frente aos pais, com um longo vestido branco, sem maquiagem e cabelo desarrumado. Logo disse que teria de estudar até mais tarde na casa da princesa Acobertadora. Seus pais não puderam recusar tal pedido.

Ela conseguiu sair do castelo, entrou na carruagem, deu um longo beijo na boca de Claudius e disse: “Vamos agitar, baby.”

A festa era realmente tremenda. Não pararam um só minuto. Festejaram demais, beberam demais, fumaram demais, como se tivessem medo de que tudo aquilo fosse escapar até a hora de ir embora, que para ela, seria às quatro. Mas já haviam conseguido tudo o que queriam para aquela noite. Não se importavam de ter de voltar para seus castelos.

Claudius, então, deixou Ofélia em casa, com um beijo triste de despedida e dizendo, enquanto ela se dirigia às portas levadiças, “Amanhã lutamos de novo”.

Dormiria sem saber pelo quê.

Quem sabe, ao acordar, desejasse lutar contra o emprego dos pronomes, ou contra o consumismo. Afinal, já eram quatro e meia da manhã, ele deveria dormir para conseguir pensar em sua "causa".

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O mito do elevador

19h58.

A reunião condominial estava para começar. A síndica marcara às pressas, pediu o comparecimento de todos.

Os seis retardatários, neste momento, estão no elevador, mais precisamente no décimo primeiro andar, quando o último morador, o rabugento do 1103, acabara de entrar. A porta se fechou, estavam confinados.

O prédio é antigo, descer de escada não é uma boa opção, os degraus são todos muitos juntos e além da tonteira que causam, facilitam acidentes, sem contar o comodismo. Todos os que faltavam realmente estavam no elevador.

19h59.

Foi só ele começar a acelerar que aquela marola estonteante invadiu a todos. Não uma qualquer, e sim uma capaz de deteriorar os alvéolos de um rinocerante, de derrubar um elefante.

Peidaram no elevador.

"Foi a gordinha do 1203", pensaram todos, exceto a própria injustiçada, acostumada a ser injuriada de todas as formas, mas ainda não acostumada com a dor de receber esses olhares oscilantes, cheios de ódio, nojo e de desprezo, que carregam o pensamento do marido do 1701: "gordo só faz gordice". Coitada da gordinha.

Ainda não se passaram nem dez segundos desde a baforada monstruosa e a perua do 1604 já começou a sentir náuseas, deu ânsia de vômito e apertou o botão que indicava o oitavo andar, teria que sair mais rapidamente dali, não pensou que seria mais fácil apertar o décimo andar.

O dono do gigantesco feitio, nessa hora, ria absurdamente por dentro, gostava de ver o circo pegar fogo e adorava saber que fora o responsável por essas labaredas. Para tanto, disfarçou muito bem, incitou a discórdia, dizendo que aquilo era inadimissível, que os outros deviam ter o mínimo de respeito ou vergonha na cara.

O elevador parou no oitavo andar, saíram a perua, a gordinha e o casal do 1701. Parte do cheiro saiu com o abrir da porta, a outra ficou impregnada no ambiente, de uma forma tão densa que ardia os olhos do rabugento do 1103. Foi o único que não havia reclamado, por incrível que pareça, apenas teve um brilhante pensamento.

O "putrefação" humana, puto da vida pela indiferença do rabugento, disse que aquilo era inadmissível, apertou o quarto andar já que o elevador estava indo do sexto para o quinto e, na saída, deu uma baforada no velho, que até passou despercebida, já que a porta se fechara antes.

Resultado, o velho chegou às 20h01 na reunião. A gordinha utilizou suas injúrias como motivação para ir de escadas, para emagrecer; a perua, que estava de salto muito alto, caiu ali por volta do quinto andar e decidiu nao ir mais; o casal voltou para o apartamento, para esquecer aquele cheiro horrível num delicioso banho a dois.

O velho se sentou na frente e acompanhou a reunião. Minutos mais tardes chegou o peidorreiro, viu toda aquele gente e sorriu para si mesmo, "Como será que eles reagirão diante de uma bela merda?". Ele não sabia quanto aos demais, sabia apenas que o velho estava imune à sua sacanagem.

A vida também é assim, às vezes nos deparamos diante de problemas sem solução, que têm a única função de nos deixar fedendo, podres e pra baixo. Assim, alguns desistem e voltam ao início do caminho. Outros ficam estancados no mesmo lugar, sem reação, e ficam fedendo para sempre. Poucos tiram disso alguma lição. Menos ainda ficam indiferentes a isso. Estes sim são capazes de aguentar o tranco da vida, por mais que alguns cretinos gostem de foder com a vida de todos, eles sabem exatamente disso e pensam assim como o velho:

"Vai passar, sempre passa. É só esperar."